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Sítio Veraloe
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Com o fim da Segunda Guerra Mundial houve um esforço dos países aliados para manter as indústrias bélicas funcionando. Surgiram então adaptações e estas passaram a produzir adubos químicos ao invés de explosivos, agrotóxicos ao invés de armas químicas e tratores agrícolas ao invés de tanques de guerra. Tudo isto em nome da segurança mundial e com o desculpa esfarrapada de controlar a fome no mundo, tida como a principal ameaça ao início de novas guerras. Assim iniciou-se a chamada Revolução Verde, alavancada por uma política mundial de pesquisa, ensino, difusão e produção baseada em dinheiro subsidiado (crédito agrícola) para o uso exclusivo destes novos aparatos bélicos, digo, agrícolas. Todo este processo permitiu uma rápida recuperação industrial e financeira dos principais países envolvidos na guerra, os quais desenvolveram um mercado global para seus produtos, ao mesmo tempo em que conseguiram transformar a agricultura de base familiar dos países mais pobres em agricultura de exportação de matérias primas baratas (milho e soja) para sustentar a criação de gado e porcos durante o rigoroso inverno da Europa e da América do Norte.

Tal como o traficante de drogas que oferece as primeiras doses de graça para conquistar seus clientes, a chamada Revolução Verde também fez com que a agricultura tradicional, em poucas décadas se tornasse dependente dos agroquímicos, das sementes “melhoradas” e da mecanização. Logo após, os subsídios dos baixos juros do crédito agrícola foram sendo eliminados. Mas as catastróficas seqüelas permanecem profundas. A produtividade das lavouras não aumentou proporcionalmente ao elevado incremento do uso de agroquímicos, o que aumentou e muito, foram o surgimento de centenas de novas doenças e pragas nas lavouras e criações. Tudo isto requeria mais agroquímicos e deixou a atividade agrícola economicamente menos rentável e mais vulnerável a riscos de frustrações de safras. Em conseqüência, houve e ainda há, um elevado êxodo rural, que por sua vez contribuiu para o empobrecimento da periferia das grandes cidades, à miséria, à fome, à violência, etc. Também houve uma redução na manutenção da capacidade produtiva dos solos, erosão, enchentes, secas e, mais atualmente, apagões, além de poluição ambiental e alimentar em níveis preocupantes.

A Revolução Verde, encobriu as outras formas mais naturais de agricultura. Por serem diferentes do modelo de produção agroquímico industrial, elas foram chamadas de Escolas de Agricultura Alternativa, as quais foram identificadas conforme seu surgimento e suas características particulares de práticas agrícolas.

O termo “Agricultura Orgânica” é utilizado mundialmente para designar todo o conjunto de diferentes tipos de Escolas de Agricultura Alternativa. Espalhadas pelo mundo, todas apresentam muitos pontos em comum em relação aos seus fundamentos da prática agrícola, tais como a proibição de uso de agrotóxicos e adubos químicos solúveis, por entenderem que estes são prejudiciais a saúde do solo, das plantas, dos animais e do ser humano, além da ênfase no manejo da fertilidade biológica do solo, responsável por efeitos duradouros na fertilidade física e química do mesmo. Todas se empenham em produzir os chamados “Alimentos Orgânicos”, que seguem normas de produção e sofrem uma fiscalização e certificação de alguma instituição credenciada para garantir o controle de qualidade ao consumidor e facilitar a comercialização.

A Agricultura Biodinâmica é a mais antiga das Escolas e se fundamenta na Antroposofia, cosmovisão elaborada por Rudolf Steiner (1861 - 1925) que significa “sabedoria do homem”. Mas não se trata apenas de antropologia; trata-se, na realidade, de uma ciência do Cosmo, tendo por centro e ponto de apoio o próprio homem. A Agricultura Biodinâmica (Biológico-dinâmica) também incorpora técnicas agrícolas desenvolvidas por outras Escolas, embora as complete e interprete com suas descobertas, ela vai muito mais além das complexas relações ecológicas que ocorrem no ambiente de produção agrícola, mergulha no saber de relações dinâmicas que ocorrem na multidimensionalidade do universo, compreendendo e trabalhando com as influências de diferentes qualidades de energias cósmicas sutis sobre o ritmo de crescimento e sobre a energia vital do solo, plantas e animais. A nossa saúde depende da saúde do alimento que comemos.


Hernandes Werner, Eng. Agrônomo

 

 
 

 

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